
Certa vez eu comentei com alguém: eu gosto da solidão. Naquela época era verdade. Eu gostava sim, mas eu ainda não sabia o significado doloroso dessa palavra. Quando se tem 15 anos de idade, se mora com os pais, tudo que se quer é um pouco de solidão. Um pouco de tempo a sós conosco mesmo sem dar satisfações a ninguém, solidão adolescente que se traduz em “ficar sozinho”. Hoje, eu descobri o significado de tudo isso. Ficar sozinho, não é estar sozinho. E o “estar” é bem mais difícil. Ultimamente tenho me sentido assim: sozinha, solitária…Alguém já teve aquela sensação de estar entre milhões de pessoas e se sentir só? Assim que estou hoje. Assim que estou há algum tempo… Será que essa solidão é o preço que estou pagando pelas coisas que conquistei e que ainda quero conquistar? Preço caro…que me faz pensar no que vale a pena nessa vida. Sou humana, e de vez em quando dá vontade de fraquejar, de desistir. Penso em largar tudo, abandonar as conquistas e voltar às minhas origens. Daí então, de volta, perto da minha família e das pessoas que tanto me fazem falta, recomeçar. Mas ao mesmo tempo, me sinto tão realizada pelas coisas que já consegui que meu coração fica dividido. Já fui mais auto-suficiente, já falei inúmeras vezes que poderia tranquilamente viver só, mas nunca quis dizer que conseguiria viver numa eterna solidão, sem pessoas a minha volta. Morar sozinha é muito bom, e quero continuar morando sozinha. Mas a solidão de não ter uma amiga pra visitar, uma companhia pra tomar um chimarrão na beira da praia, um ouvido paciente pra ouvir meus desabafos e minhas lamentações, um coração amigo que possa me dar um conselho…isso sim, é muito triste e machuca muito. Minha casa é vazia de móveis, e de pessoas…ninguém vem aqui, não tem ninguém que possa vir aqui, além do meu namorado. Quando ele vem, é bom, tenho um pouco de carinho e atenção, mas quando ele vai embora…o coração aperta e fico só de novo…e isso dói bastante. É estranho, a casa vazia, ninguém para ouvir, ninguém para falar, para dar um sorriso, ou uma risada… Apenas minhas músicas tocando dia e noite. São minha única companhia, além dos meus livros e do meu travisseiro, que é quem me conforta no final do dia, quando chego em casa e não tenho ninguém pra dar um “oi”, ou pra partilhar uma xícara de leite quente… Solidão, é a pior das companhias, não desejo nem aos meus inimigos (se eu os tiver…)
Boa semana a todos…






